O último discurso de “O Grande Ditador”
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
Por pouco
Pena e comiseração para os que preferiram o pássaro na mão. Para os que não foram ser legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular e continuam na margem.
Pena…
?
Quer dizer, 90% do que você sabe é percepção…certo?
Mesmo assim, 50% de não te entederem é culpa sua.

I keep tryning to kill it
But it just won´t die…
Isso está dentro de mim
Eu continuo tentando matar essa coisa
Mas ela simplesmente não morre.
Essa pressão de expectativa pulsa na nuca…uma incomoda e infantil certeza de algo tropeçando ao meu redor.
Algo está errado, alguém está errado…acho que não pertenço a este lugar.
Tenho que continuar em movimento, ir atrás das verdades, continuar buscando as pessoas certas, continuar desatando os nós…tentando transformar os trapos num tecido inteiramente novo.
Tudo está num estado de fluxo. Mapas se tornam inúteis, padrões mudam e se contradizem a cada dia, água vira vapor.
Acabado….essa é a palavra, envenenado pelo próprio veneno. Aquele que escondido na mais sombria camada da alma.
Eu…eu acho que perdi, completamente.
Chame do que quiser…função, propósito, razão, fé—tudo.
Tudo acabou…
Afundou no pântano.
Como não fiz propósito algum, talvez tudo fosse nada?
Perdi o chão que piso…
Cai no último obstáculo
Não, não pare…você não pode parar, nunca pare de se mover e não olhe para trás.
Você morre se fizer isso.
Nunca deixe a memória pisar na sua sombra.
Essa coisa esteve se contorcendo em mim, me manda escavar sobre rochas, peneirar desfiladeiros, procurando sempre por algo pior. E cada coisa horrível que levava a mim clamava por um sacrifício.
Como se tivesse hipotecado minha alma para manter meu pequeno monstro quieto e escondido no porão mais profundo do meu coração de pedra…sim, tenho um coração de pedra.
E é infeccioso. Há tanta amargura e raiva…
Um relâmpago procurando uma árvore…uma faca perseguindo uma ferida semi-aberta…um velho procurando sua morte.
Como pude fazer isso comigo?
De onde vem esse medo?
Tão atolado no pântano de minhas pequenas carências…tão fraco.
Como deixar as coisas velhas que nos põe pra baixo e aumentar as chances da esperança?
E por acaso a esperança não é o pior dos males?
Eu tento, mas estou aleijado, com um pé preso na cova do meu passado ridículo.
Quantas frustrações guardo em mim…eu sei, mas não imagino quão importante sou, quanto todos somos.
Eu já poderia ter deixado isso para trás…entrado na onda da mudança. Mas não, ao invés disso me escondi.
Fui morar dentro de mim. É mais seguro…
Eu sou mau, o desespero e a solidão andam ao meu lado. Envenenando tudo e a todos ao meu redor…
Sempre que tento mudar, penso e vejo o quanto sou impotente e fraco…é como me sinto hoje.
Há tanto para fazer e nada para ser feito.
Estou perdido em mim…
Sempre me auto justificando e cheio de remorso. Buscando motivos diferentes daqueles que já conheço.
Mas remorso de quê?
Se preocupar é uma maldição. Não se preocupar é duas vezes pior.
Escolhas e conseqüências. Vontade e potência. Vontade de Potência e quantidade de verdades que suportamos.
A contradição na natureza humana.
É o que me faz continuar, nunca vou desistir…se desistir eles vencem. Mas não sou eu quem ganha com a luta.
Agora vejo, estava cego para qualquer coisa que não fosse minha dor.
Eu queria esquecer, seguir em frente a apenas enterrar tudo. Ser outra pessoa sempre com os mesmo ideais, querendo as mesmas coisas e tendo as mesmas chances.
Enterrei pedaço por pedaço, até não caber mais e não conseguir mais fugir.
Fiz de mim o que não soube, o que podia fazer não o fiz. Perdi-me
Me encontrei tentando dividir, era pra juntar.
Não posso ser tantas pessoas, sou apenas um. Eu, apenas um humano…demasiado humano.
Há coisas impossíveis de esquecer, que se recusam a ser enterradas.
Não vou mais desviar, ignorá-las. Vou em frente, sempre em frente.
Escolhi o caminho difícil, e não há recompensas me esperando se não minha consciência. Minha maior virtude e minha maldição.
Nunca desista, nunca.
(SOBRE)VIVER NÃO É PRECISO…
Então ela diz: “Que bom que está bem!”
Voltando um pouco a história. Depois de perder pelo cansaço digo: “Sim, estou bem…”. Pela primeira vez na vida agradeço por estar na frente do pc e não face a face, assim não precisava fingir um sorriso. Seria descer baixo demais, até pra mim…
É sempre assim, logo que você diz o que querem ouvir o assunto acaba e você se torna desnecessário. Fizeram sua boa ação do dia e coitado de você se insistir no assunto. Fraco! Afortunado aquele que sempre diz o que querem ouvir, invejo essas pessoas tanto quanto um ovo sem clara e gema.
Ao dizer que estava bem não menti, só pensei: “Porra, isso de novo…” Quem realmente pergunta isso com a intenção de saber, e se pergunta o que vai fazer com a resposta? Se eu disser que não estou bem, vai fazer algo ou só dizer as mesmas coisas que todos dizem? Falar sobre isso não quer dizer que sou amargo, só louco…gastar espaço e tempo pensando sobre uma pergunta tão casual, sinônimo de educação. É claro que hoje em dia ninguém tem tempo pra se interessar se outra pessoa está bem ou não. E sim, repito que sou louco, quem mais se incomodaria com isso?
Então ela diz: “O que você quer dizer, na verdade?” Eu digo tantas coisas e não digo nada. Não me fiz entender e me expus até onde podia, não pude mais porque não era capaz. Se fosse, o faria com certeza. Mais um motivo pra ser louco…
Eu só queria que ela me conhecesse, não só o qeu aparento, não só o que tento dizer. Todos os eus. Depois disso, o que me disser eu aceito. Então o que realmente quero? Como posso pedir isso a ela ou a qualquer outra pessoa? Tudo o que quero é que me conheça, antes disso…me desculpa por tudo o que vou fazer. Me conhecer, como fazer isso? Passe um tempo comigo, tipo…a vida toda. Mas o único modo de isso acontecer é se ela querer isso…
Não posso pedir uma coisa dessas, nem pra ela nem pra ninguém. Mas que puxa, era tudo o que queria…(talvez por isso não consiga)
Tem que acontecer naturalmente, essa é a lei da selva. Isso estava aqui antes de mim, e vai continuar depois que eu me for. Porque mudaria por minha causa?
Essa é questão…o que vai mudar por minha causa?
Presta atenção, como um simples “Oi, tudo bem?” pode levar a tantas coisas? Eu não poderia começar isso dizendo o que quero que mude por minha causa, creio que não começaria pelo “tudo bem?”. A verdade é que não quero mudar nada, nada que não seja do meu interesse. O problema é que me interesso por muitas coisas, por tudo que vejo e pelo que penso conhecer. E por tudo isso, quero deixar alguma coisa…mais alguma coisa, além do meu irmão. Ele é um presente pro mundo e me orgulho por ter participação disso.
O fato é que de certo modo me sinto bem, individualmente estou ótimo. Tenho pouco, mas conquistei cada pedaço desse pouco, não minto(fora isso), não tenho vícios e me esforço sempre que acho que devo. Para o bom ou para o mal, sempre sou eu. Não trato as pessoas pela aparência, religião ou qualquer coisa superficial, eu olho e vejo pessoas, não cores, roupas ou status, nem inteligência importa….eu só vejo pessoas. É, eu me orgulho disso. Sabe quem sou? Um homem que se fez, meus erros são meus… E não, não me acho grande, meus pensamentos são, eu não. Eu sou sempre eu.E me diz, se eu moro num mundo com aproximadamente de 6,6 bilhões de pessoas, isso, pessoas…dois olhos, um nariz, uma boca, dois braços…geralmente. Nascemos iguais, somos a mesma espécie, temos o mesmo caminho a seguir, os mesmos medos, comemos da mesma comida e sonhamos os mesmos sonhos. Poderíamos estar todos juntos, nos separamos em continentes, países, estados, cidades, bairros, casas maiores e mais bonitas, nomes e sobrenomes, roupas, cor de pele…tudo para nos fazer diferentes. Nos dividimos e nos matamos, tudo para conseguir esse objetivo…ser feliz é a melhor desculpa que encontro. Matamos uns aos outros para tornar o caminho mais fácil se assim parecer necessário.Deixamos nossos líderes, políticos e religiosos nos oprimirem e explorarem tudo pelo bem poder, nos deixando felizes se formos um pouco menos prejudicados que os outros, não importa nem se for o vizinho ao lado. Acho que da próxima vez que me perguntarem qual é o problema: “Meu problema também é seu problema…” Eu fico pensando no que poderia fazer pra mudar, qualquer coisa que pudesse consertar qualquer uma dessas coisas erradas. Se houvesse, se eu pudesse imaginar um jeito juro que faria. Mas não há nada que eu possa fazer, nada que eu possa fazer…sozinho.Eu não posso mudar as pessoas, mas as pessoas podem mudar se tiverem consciência do que e do quanto podem ser.Por tudo isso, por não ter o que mais quero e por sentir que posso fazer o que acho importante é que tomei essa decisão, não sei quanto tempo vai durar. Se for até amanhã tudo bem, depois de amanhã me decido de novo.
Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Envergonho-me e ao mesmo tempo tenho orgulho de poder usar algo de Pessoa pra mim. A vergonha é de não ter palavras minhas. Ainda que meus motivos não sejam os mais puros e nobres, ainda que eu não seja a pessoa certa para qualquer coisa, pois bem, não sou…mesmo. Decidi que o sentido da minha vida é fazer alguma diferença. De longe, o maior prêmio que a vida oferece é a chance de trabalhar muito e se dedicar a algo que valha a pena. Roosevelt disse isso, acho. Dentro disso quero deixar uma marca, não vou passar pelo mundo sem que deixe algo de bom, além do meu irmão e meu portuguêm ruim. Ele é um presente ao mundo e fico orgulhoso ter poder ver e fazer parte disso.
Não quero viver, viver não é preciso. Quero criar, pensar, ser e sentir. E a cada simples momento que eu conseguir isso, vou ser grande, vou ser eu e tudo vai fazer sentido. Até essa vida absurda, que, diga-se de passagem a amo.Tudo o que tenho a dizer de algum modo é besteira, eu sou só mais um com mais uma idéia. Já houveram outras pessoas com outras idéias, Outras pessoas com as mesmas idéias, o mundo é grande, mas não tão grande a ponto de não repetir idéias, situações. Tudo é novo, e não é…Eu sou só mais um, a diferença que vejo é que não tenho saco pra aparências. As pessoas não tem tempo pra viver, eu não tenho tempo pra fingir. Acaba aqui, é bom saber a hora de parar…
O Homem da cabeça de papelão – João do Rio
Parte 2
Aqui, texto na íntegra – http://www.releituras.com/joaodorio_homem.asp
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Isso me lembrou de uma frase de 1984: “Os melhores livros são àqueles que dizem o que já sabemos…”
A sorte, é que essa afirmação só dura até a próxima história…
Não é de mim, mas depois daquilo bem que poderia…
Incrível achar isso em um livro de Tristan e Isolde. Mais incrível ainda são as palavras, o demonio…Foi exatamente o que a mulher cega me disse quando se virou e olhou pra mim, sim, ela se virou olhou e disse não com essas palavras, mas a intenção era a mesma:
“És maldito cavaleiro! O infortúnio corre em seu sangue! Se queres resguardar tua alma, desapareça dessa terra, se possível dessa vida! E altere os liames do seu nefasto destino!”
Porque?
Quer dizer, ela me disse algo parecido, bem parecido. E eu não tive reação, não entendia como ela sabia, como ou o porque ela me diria isso naquele momento. Ela pode estar certa, ela provavelmente está certa…
E puta merda, como eu odeio setembro!



