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Escolhas
Afinal, o que é uma escolha se não colocar alguma coisa acima de todas as outras?
E por que a escolha é tão importante?
Talvez se não tivéssemos escolhas…não tem como supor algo assim, o talvez já é uma escolha, uma possibilidade. Eu queria medir as pessoas pelas escolhas que fazem, mas já superei isso. Meço pela consciência das escolhas que tem, saber que chegou onde chegou por conta própria, pegar a responsabilidade para si e continuar indo em frente.
Fácil, muito fácil falar…eu mesmo falo porque me mantenho longe. Ou como poderia falar das escolhas dos outros?
No meu caso, minha escolha é simples: A Joyce.
Entre ela e o mundo, fico com pena do mundo. Nem chega a ser justo, nem vejo como uma escolha já que ela é a personificação de um provável sentido da vida e mais, bem mais…ela bem mais que a vida.
Voltando ao assunto das escolhas, temos escolhas fáceis, as tecnicamente fáceis, as ilusoriamente fáceis e as mentiras. Sim, a mentira é uma escolha…tanto quanto a verdade se pensar bem. E não, não acredito em escolhas difíceis, decidir é fácil. Agüentar o peso da decisão entretanto…
Minha decisão tecnicamente fácil é sobre minha família, sempre ela. Minha família é como uma bigorna amarrada no meu tornozelo desde que nasci. Eu sei que é por escolha minha, que só me fazem mal porque deixo e seria bem cretino da minha parte dizer que não posso fazer nada a respeito, posso, sempre pude mas não fiz. E o porque? Fácil, eu deixaria de ser um mártir, eu não gostava tanto de mim a ponto de me escolher entre qualquer outra coisa, eu não tinha um motivo tão grande quanto a Joyce…
Mas e daí? Agora ficou fácil decidir? Não. Sempre foi fácil, mas agora que está perto, porque eu recuo? É quase certo de que vão ficar melhores sem eu reclamando ou tomando os problemas deles pra mim, creio que já fiz estragos demais ali. É hora de seguir em frente…racionalmente isso é tão bonito. Mas porque diabos eu não mudo isso de uma vez? Do que estou com medo afinal? Essa é fácil de responder, estou com medo de tudo.
O medo já não me assusta tanto, a Joyce…ela não deixa. Eu devo mais a ela do que jamais vou conseguir dizer. Aquele sorriso, os olhos que se perdem sabe-se lá em que mundo…o jeito dela brigar comigo sabendo que não tenho culpa. Como não amar uma pessoa assim? Essa semana, eu estourei…quase como antes, e ela…me pegou no colo e cuidou de mim como ninguém jamais fez. Não que eu já não soubesse que quero passar a vida toda com ela, mas depois disso a certeza virou algo mais o medo aumentou e ficou de lado. Tudo tem uma importância diferente. Eu já não sou o mesmo, nunca mais vou ser…
Eu queria poder dizer metade das coisas que imagino, se não digo é porque não consigo, ou não quero banalizar. Ela devia estar na minha pele, nos meus olhos, pelo menos por meio segundo. Ai ela saberia do que estou tentando falar aqui. Queria dizer como quando a vi pela primeira vez, que fiquei parado e ela achou que eu não tinha gostado dela, se ela soubesse que eu só não consegui me mexer…que lembro com uma exatidão bizarra daquele momento. Minhas pernas quase viraram geléia e eu me lembro do que pensei, olhei pra ela e disse algo como: “Que tal a gente se apaixonar?” Ela estava com medo, e eu apavorado, senti muito pelo que eu estava pra fazer mas era como se estivesse de frente pra um furacão. Não dava pra evitar, e eu nem queria.
Há um pouco mais de três meses atrás eu não pensava em passar dos 30, hoje tenho planos pra décadas sobrando. Falo em casar, ter filhos, uma família de verdade, sem bizarrices (ou pelo menos tentar).
Eu comecei um pensamento e terminei falando da Joyce, é assim que tudo começa ou termina…é isso o que ela é pra mim, o começo e o fim. E o meio. Ela é tudo…
Escrevi isso faz um tempo, num dos diários que uso pra simplesmente não esquecer…ou me importar um pouco que seja com o que faço, com o que fazia. Isso não importa agora…
“Foi como se naquele dia, uma segunda…estava chovendo e eu cheguei cedo. Odeio esperar, a dúvida de que se eu deveria estar mesmo na fnac aumentava, não a ponto de desistir, só a dúvida, curiosidade e ansiedade. A curiosidade passou e a ansiedade mudo de foco assim que a vi olhando pra mim…tímida e linda, com um sorriso que…sabe um daqueles momentos em que você se dá conta de que tudo vai mudar e você não vê a hora de acontecer? Tentei fingir que não estava nervoso, muito menos surpreso por estar nervoso…ela tem algo, alguma coisa nela me deixa nervoso pra sempre. E mesmo assim eu fico a vontade, poucos minutos depois lembro que pegava na mão dela e só não a beijei assim que a vi porque…não vem ao caso. A única certeza que me sobrou naquele dia era que tinha que te ver outra vez, te abraçar, me sentir estranho daquele jeito de novo e te beijar. aquele beijo tímido do começo. Eu tinha que me sentir bem daquele jeito de novo…não tem um nome certo pra isso. Qualquer palavra próxima disso, não importa em que idioma, banaliza o sentimento. Eu já mudei, desde aquele dia eu mudei de tantas formas, as coisas nem são mais cinzas…nem coloridas, mas não tão cinzas. Tudo vai mudar…eu já estou mudando. O quanto isso me assusta?
Acho que agora ela confia mais em mim, o olhar e jeito dela mudaram comigo, isso me enche de tudo. Eu só podia imaginar o que era isso antes, agora é real. Com todas as outras não era assim, isso já foi mais longe do que eu podia sonhar e mesmo me apavorando eu quero mais, a Joyce…ela simplesmente, é ela. Cym as outras eu me defendia, minto, foda-se. Elas sempre diziam que tenho um tipo de armadura, talvez fosse isso, eu sempre tenho que ter o controle, calcular tudo e esperar o inexperado. Como algo assim, como alguém assim pode viver? Fácil….sozinho. Com a Joyce não sobrou armadura alguma ou algo pra me defender, controle? Nao tenho mais, e não quero mais ter. É tudo dela, e pra ela. Todo esse tempo em que só falava com ela no msn, o tempo que ela namorou, até o que eu estava com alguém…a diferença quase não se vê, mas está lá. A diferença dela pra qualquer outra pessoa é o que sinto, mesmo que eu ainda esconda isso. Nem posso pensar em lembrar das besteiras que fiz pra não me sentir mal, pra me defender ou pra dizer que não sentia medo. Fiz coisas das quais nunca vou me orgulhar, não são muitas, mas são o suficiente pra me sentir mal por muito tempo. Esse medo não vai embora, tenho medo de gostar muito dela, dela de repente não gostar mais de mim ou encontrar alguém melhor. Apesar de agora sei que ela confia em mim eu já parei de besteiras, até parei de fazer as coisas que fazia por medo. São desperdicio de energia que posso usar pra fazer ela feliz. Eu posso parar de enganar as pessoas, e principalmente de me enganar.
Joyce, eu te amo…
Isso é tão pouco.
Eu tenho que parar de me sabotar, não quero perder isso.
Definitivamente botar isso no papel pra um dia tentar mostrar a ela o quanto sou idiota é uma idéia brilhante. Tentar definir o que ela faz comigo ou como me sinto prova isso. Prova que sou um idiota completo.
O que eu sei é que aquela menina com um sorriso lindo e suas paranóias, me fazem pensar que tudo isso não é tão ruim assim e que ainda me importo.”
Estaria ótimo se acabasse assim, mas não, eu tive que ser o idiota épico. O que tentei escrever é a prova de que de algum modo eu sabia que a Joyce tem o potencial pra ser a pessoa mais importante da minha vida e o que eu faço? estrago tudo. Da forma mais besta possivel. Mentiras bestas ainda são mentiras, mentir pra quem ama é…idiota!
Estraguei tudo, e eu sabia e não sabia, sabia porque não me importava a ponto de considerar o que fiz como uma mentira. Paguei pelo meu jeito desconfiado e medroso. Parabéns pra mim. Agora que mudei sinto que vou perder tudo, é como se desse pra sentir ela escorrendo pelos meus dedos sem que eu possa culpar outra pessoa além de mim por isso.
De alguma forma vou consertar isso.
Ou de várias formas, não importa como mas vou.
