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Escrevi isso faz um tempo, num dos diários que uso pra simplesmente não esquecer…ou me importar um pouco que seja com o que faço, com o que fazia. Isso não importa agora…

“Foi como se naquele dia, uma segunda…estava chovendo e eu cheguei cedo. Odeio esperar, a dúvida de que se eu deveria estar mesmo na fnac aumentava, não a ponto de desistir, só a dúvida, curiosidade e ansiedade. A curiosidade passou e a ansiedade mudo de foco assim que a vi olhando pra mim…tímida e linda, com um sorriso que…sabe um daqueles momentos  em que você se dá conta de que tudo vai mudar e você não vê a hora de acontecer? Tentei fingir que não estava nervoso, muito menos surpreso por estar nervoso…ela tem algo, alguma coisa nela me deixa nervoso pra sempre. E mesmo assim eu fico a vontade, poucos minutos depois lembro que pegava na mão dela e só não a beijei assim que a vi  porque…não vem ao caso. A única certeza que me sobrou naquele dia era que tinha que te ver outra vez, te abraçar, me sentir estranho daquele jeito de novo e te beijar. aquele beijo tímido do começo. Eu tinha que me sentir bem daquele jeito de novo…não tem um nome certo pra isso. Qualquer palavra próxima disso, não importa em que idioma, banaliza o sentimento. Eu já mudei, desde aquele dia eu mudei de tantas formas, as coisas nem são mais cinzas…nem coloridas, mas não tão cinzas. Tudo vai mudar…eu já estou mudando. O quanto isso me assusta?

Acho que agora ela confia mais em mim, o olhar e jeito dela mudaram comigo, isso me enche de tudo. Eu só podia imaginar o que era isso antes, agora é real. Com todas as outras não era assim, isso já foi mais longe do que eu podia sonhar e mesmo me apavorando eu quero mais, a Joyce…ela simplesmente, é ela. Cym as outras eu me  defendia, minto, foda-se. Elas sempre diziam que tenho um tipo de armadura, talvez fosse isso, eu sempre tenho que ter o controle, calcular tudo e esperar o inexperado. Como algo assim, como alguém assim pode viver? Fácil….sozinho. Com a Joyce não sobrou armadura alguma ou algo pra me defender, controle? Nao tenho mais, e não quero mais ter. É tudo dela, e pra ela. Todo esse tempo em que só falava com ela no msn, o tempo que ela namorou, até o que eu estava com alguém…a diferença quase não se vê, mas está lá. A diferença dela pra qualquer outra pessoa é o que sinto, mesmo que eu ainda esconda isso. Nem posso pensar em lembrar das besteiras que fiz pra não me sentir mal, pra me defender ou pra dizer que não sentia medo. Fiz coisas das quais nunca vou me orgulhar, não são muitas, mas são o suficiente pra me sentir mal por muito tempo. Esse medo não vai embora, tenho medo de gostar muito dela, dela de repente não gostar mais de mim ou encontrar alguém melhor. Apesar de agora sei que ela confia em mim eu já parei de besteiras, até parei de fazer as coisas que fazia por medo. São desperdicio de energia que posso usar pra fazer ela feliz. Eu posso parar de enganar as pessoas, e principalmente de me enganar.

Joyce, eu te amo…

Isso é tão pouco.

Eu tenho que parar de me sabotar, não quero perder isso.


Definitivamente botar isso no papel pra um dia tentar mostrar a ela o quanto sou idiota é uma idéia brilhante. Tentar definir o que ela faz comigo ou como me sinto prova isso. Prova que sou um idiota completo.


O que eu sei é que aquela menina com um sorriso lindo e suas paranóias, me fazem pensar que tudo isso não é tão ruim assim e que ainda me importo.”

Estaria ótimo se acabasse assim, mas não, eu tive que ser o idiota épico. O que tentei escrever é a prova de que de algum modo eu sabia que a Joyce tem o potencial pra ser a pessoa mais importante da minha vida e o que eu faço? estrago tudo. Da forma mais besta possivel. Mentiras bestas ainda são mentiras, mentir pra quem ama é…idiota!

Estraguei tudo, e eu sabia e não sabia, sabia porque não me importava a ponto de considerar o que fiz como uma mentira. Paguei pelo meu jeito desconfiado e medroso. Parabéns pra mim. Agora que mudei sinto que vou perder tudo, é como se desse pra sentir ela escorrendo pelos meus dedos sem que eu possa culpar outra pessoa além de mim por isso.

De alguma forma vou consertar isso.

Ou de várias formas, não importa como mas vou.

Escrito por Vinicius Souza

Abril 4, 2009 às 4:48 am

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